sexta-feira, fevereiro 04, 2005

Do sonho I

"O sonho encheu a noite, extravasou para o meu dia e é dele que vou viver, porque sonho não morre."

Adélia Prado

quinta-feira, fevereiro 03, 2005

Do sonho II

"Tudo é loucura ou sonho no começo. Nada do que o homem fez no mundo teve início de outra maneira - mas já tantos sonhos se realizaram que não temos o direito de duvidar de nenhum."

Monteiro Lobato
Mundo da Lua

Vendée Globe 2004

Foi num domingo, 7 de novembro de 2004, mais precisamente às 13:02h (hora local) que 18 homens e 2 mulheres lançaram-se em corajosa aventura: cada qual em seu barco de 60 pés (18,28m), sozinhos, sem escalas, sem auxílio exterior, dar a volta ao mundo.

O trajeto: partir de "Les Sables d'Olonne", baía Biscay (França), e seguir pelo Oceano Atlântico em direção à linha do equador, contornando o continente africano e o cabo da Boa Esperança, continuando em direção ao Oceano Indico e à Austrália. Passar ao sul do cabo Leeuwin e da Tasmânia, navegando pelo Oceano Pacífico até contornar o temível cabo Horn, retornando ao Atlântico e então seguir o rumo norte, de volta ao ponto de partida.

Ontem, 2 de fevereiro de 2005, após 23.680 milhas náuticas de navegação ou 87 dias, 10 horas, 47 minutos e 55 segundos após a largada, o campeão, Vicent Riou, francês, cruzou a linha de chegada, estabelecendo um novo recorde: 5 dias, 17 horas, 9 minutos e 37 segundos mais rápido que o vencedor da edição 2000/2001 da prova, o velejador Michel Desjoyeaux.

Até o momento em que escrevo, apenas um outro barco completou a prova, o 2° colocado, Jean Le Cam, com uma diferença de 6 horas, 32 minutos e 13 segundos em relação ao vencedor. Dentre os 11 competidores que permanecem na prova, que já conta com 7 desistências, o 3° colocado, Mike Golding deve chegar em poucas horas, mas outros podem demorar vários dias até completarem o trajeto, como a velejadora Karen Leibovici (13° posição), que se encontra, atualmente, a 6.122,5 milhas náuticas da chegada (equivalente a aproximadamente 25 dias de navegação).

quarta-feira, fevereiro 02, 2005

"Universo é uma membrana achatada e infinita flutuando em um espaço multidimensional"

Paul Steinhardt, Burt Ovrut e Neil Turok.

ãhhh, ok...!

quarta-feira, janeiro 26, 2005

Vida a bordo

Ser velejador é antes de mais nada amar a liberdade, a água e o vento, seus maiores representantes na Terra. Mais do que isso, é também uma filosofia de vida: é perceber com uma certa estranheza esse mundo moderno, seus barulhos excessivos, sua violência que, de cotidiana, já passa desapercebida, o ritmo estressante do dia-a-dia, a busca desmedida de sonhos artificialmente eleitos em detrimento do momento presente. Naturalmente, há que se compartilhar de um elevado gosto pela natureza e pela simplicidade, imposições que são da vida a bordo, e encontrar na coragem e no desejo de partir, conhecer novos horizontes, um aliado mais forte do que o medo gerado pelos mistérios do oceano.

segunda-feira, janeiro 24, 2005

Mensagem do mar

“Não me sinto muito feliz nem muito triste. As pessoas que vivem exageradamente felizes são esquizofrênicas. Tem horas em que estão lá em cima e, logo depois, lá embaixo. Não gosto dessa coisa eufórica. Sou tranqüilo. Estou bem.”

segunda-feira, janeiro 17, 2005

Curta um curta

Com a tecnologia digital ficou muito mais fácil ter uma câmera na mão, mas no nosso mundo uma idéia na cabeça não é o bastante: há que se ter várias e, sobretudo, há que ser capaz de sitetizá-las pois o tempo é artigo de luxo, elemento escasso na vida contemporânea. Por isso o curta-metragem ganha cada vez mais força, especialmente na Internet, local propício à sua difusão.

E para aqueles que ensaiam - ou ao menos gostariam de - dar uma guinada de 180° na vida, um bom começo é o 3 minutos, de Ana Luiza Azevedo, que mostra como é possível fazer, com simplicidade, um filme que prende a atenção.

quarta-feira, dezembro 22, 2004

O homem e o mar

Viver no mar, um feito talvez causado pela insegurança das grandes cidades, pelo ritmo acelerado das coisas, imposto às pessoas. Também as restrições à liberdade individual são inúmeras, por isso não é de se estranhar que a últimafronteira que nos resta – o oceano – seja a direção escolhida por muitos.

Viver no mar, nos dias de hoje, é um exemplo de independência em relação às imposições do consumismo de nossa sociedade. O automóvel se torna desnecessário. Telefone, contas de luz, impostos, visinhos indesejáveis, ruídos excessivos... tudo isso é deixado...

Usando um moderno veleiro as pessoas podem encontrar uma coisa tão difícil em nossos dias: tempo para ler, ouvir música, meditar, observar a natureza...

A vida simples e pura que o mar proporciona faz um bem enorme, tanto físico quanto mental. Ainda que se encontrem obstáculos – como os burocratas ou piratas – ainda assim valerá a pena descobrir o mar, este
mundo de sensação e liberdade.

Declaração anônima encontrada no Iate Clube de Porto Belo/SC

Enquanto isso, do outro lado do mundo

Mas nem tudo que vem dos EUA é necessariamente imoral, odiável ou execrável. Um site lançado por um estudante americano - que já conta com milhares de adesões - pede perdão ao mundo, através de fotografias, pela lamentável reeleição de W. Bush: "Nos tentamos", "fizemos o possível", "49% não foi o suficiente", dizem as mensagens.

E em nome do resto do mundo, solidário à causa destes 49% derrotados, criou-se até mesmo um outro site para dizer, também por fotografias, que perdoados estão, que não percam a esperança, mas que, por favor, tentem com mais afinco nas eleições de 2008.

E não obstante a vida continua

Não é novidade alguma: a situação no Iraque piora a cada dia conforme aproxima-se o dia marcado para as eleições. Ontem, foi um ataque a uma base americana em Mosul que deixou 22 mortos e dezenas de feridos. Hoje, em represália, os soldados americanos cercaram a cidade, proibindo a saída de pessoas e, na expectativa de identificar os suspeitos, passaram a invadir residências e violar - como de costume - os direitos humanos a torto e a direito, espalhando medo, horror e (como é de se esperar) gerando raiva entre os iraquianos.

Depois se perguntam por que é que são odiados pelo mundo afora, se na verdade eles querem apenas ajudar o Iraque a ser um país democrático...

Ademais, eu tenho cá para mim que os membros da resistência iraquiana (ou milícia, como queiram) são mais espertos do que a "inteligência" militar americana imagina e numa hora dessas já devem estar longe de lá.